Existiu, a partir do século XVII (17) uma coisa chamada Revolução Industrial. Como ela funcionava? O trabalho manufatureiro, como o nosso, em que fazemos todo o processo de arte, foi deixado de lado para fazer um trabalhos em etapas. Indústrias, onde cada um fazia apenas um pedaço do processo, o que ocorreu com tecidos, porcelanas, indústrias alimentícias e por ai vai. E isso diminuiu, até os dias atuais. Tanto que podemos ver poucos trabalhadores independentes, que fazem boa parte do processo, como sapateiros ou alfaiates.
Isso tem consequências até hoje, que comprometem a nossa vida em diversos pontos.
Recentemente, ocorreu em Hollywood, de artistas e roteiristas criar além de uma greve por melhores salários (não apenas os ricaços, mas os atores que são figurantes), de criticar ao o uso de IA em audiovisual. Deve série colocando ator famoso através dessas tecnologias nas obras, sem pagar um tostão pela imagem!
E ai entra a sua ARTE: sua arte, dependendo vai ser usada por uma IA, sem pagar direitos autorais sobre o trabalho, sobre nenhum aspecto. Pior, mesmo que você seja mente aberta e permita esse uso, a maneira que eles podem mexer sem uma regularização é QUALQUER coisa. Desde algo bonitinho até conteúdo adulto, se me entende. Isso já acontece e gera processos milionários, mas que os donos dessas inteligências nem ligam, afinal, os países nem regularizam isso.
Essa ideia de ser bom no que faz manterá seu serviço, é algo que patrão ou gente rica fala, e eu tenho consciência disso. Pois já fui substituído por gente incompetente. É bonito apenas na fala. Tem gente, dentro de governos - e isso algo que pode perguntar a qualquer pessoa em cargo público importante - pensando como tirar um trabalhador humano e usar uma inteligência artificial no seu lugar. Durante a pandemia, uma faculdade usou gravações de um professor morto, para dar aulas online, algo parecido com o uso dessas novas tecnologias.
Sobre alguém querer sempre melhorar, veja que essa questão acontece até em bancos, onde as pessoas são obrigadas a estudar para manter os cargos e subir dentro do lugar, mas que estão sendo substituídos. Com IAs e o uso de Pix ("Para que usar pessoas, se a tecnologia a substitui melhor? Eu nem imaginava que alguém perderia emprego") a mão de obra se torna obsoleta. Não importa o grau de competência, assim como foi no passado.
Se acha que isso que estou falando é apenas por crítica pura, devo comentar uma conversa que tive com um dos alunos de Fábio Shin (criador e professor da Japan Sunset, em São Paulo) quando fui ter com ele sobre a exposição "Para Sempre Toriyama" no Festival do Japão.
O que ele disse foi simples: o curso precisa melhorar a níveis antes não pensados, pois há meios online, muitos dos quais usam tecnologias de robôs (IAs), ao qual não cobram nada. É bom que realmente haja pessoas preocupadas, pois estão realmente tomando aulas através desses mecanismos.
O que estou falando nesses textos não é uma questão de qualidade de um ou de outro, nem que não se deva obter novas habilidades para aprimoramento pessoal. O problema e foco desse texto e do que escrevi, é que isso pode retirar nossos serviços, pois já estão fazendo isso.
Novo exemplo (e cara, posso colocar MUITOS EXEMPLOS, tu não tem nem noção), o RPG, Dungeons & Dragons pretende usar agora de IAs para as artes de seus livros. Se não há regulamentação O MEU TRABALHO como ilustrador poderá não ser mais comissionado.
Sorte que tenho pessoas como a Brasil in the Darkness valorizando o trabalho manual e brasileiro. Mas até eles podem sofrer a pressão de que a industrialização (lembra do começo, Revolução Industrial e perdas de serviço?) fazendo com que não necessitem mais de alguém que ilustre muitas páginas mas que não pode, nem tem como ganhar de uma máquina.
E quantas anos eu demorei para obter esse trabalho? Saca?
Os trabalhos de arte digital, assim como de arte manual são coisas maravilhosas, pois usam FERRAMENTAS. Mas as IAs usam a SUA arte, a MINHA arte ou de QUALQUER outro sem autorização. Por elas, eu poderia obter seu trabalho atual, sem você receber um centavo. Na verdade, nem sequer as pessoas que lhe ajudaram a produzir seu livro receberiam dinheiro.
Eu sempre falo de como é difícil vender os meus livros, mas jamais iria querer que meu trabalho fosse copiado por uma IA, que pudesse tirar, como falam, o pão de cada dia, de um trabalhador na área da gráfica, na manutenção do site da editora, da entrega, e por aí vai.
Há uma frase de história que diz, quem esquece o passado está fadado a repetir. E eu prefiro lutar para que os artistas permaneçam.
Há uma frase de história que diz, quem esquece o passado está fadado a repetir. E eu prefiro lutar para que os artistas permaneçam.
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