sábado, 20 de janeiro de 2024

Contos do Corvo e a gourmetização de livros de RPG

Certa vez, eu ouvi da galera do Contos do Corvo - em especial seu narrador, o Bruno - falando que o pessoal tem que pagar mesmo os preços de RPGs, nos últimos tempos. Ou seja, os valores que empresas sempre colocaram e ainda colocam para os básicos, suplementos e tudo que tenha a ver com esse trabalho, deve ser aceito. O que, na minha opinião, assim como as HQs, se torna tão ruim quando os quadrinhos que estão com preços abusivos. De que forma? Vamos por partes aqui.
Um dos nomes maiores, com relação a livros de RPG por muitos anos, foi a Devir. Ela foi o principal nome para quem mexia com obras como Dungeons & Dragons e da White Wolf (Vampiro A Máscara, Lobisomem O Apocalipse, Mago A Ascenção, etc). Até recentemente, quando falamos desse hobby querido, nós vemos empresas como a Retropunk e a Galápagos, cada uma abrindo caminho nesses universos trabalhos. 
Não vou mentir, mas com exceção de D&D, boa parte dos meus livros são "piratas": PDFs baixados de certos sites ou impressos de forma "xerocada".
Um exemplo claro de como há uma gourmetização dos valores para livros de RPG é o seguinte: os atuais livros de RPG, por exemplo, de Vampiro A Máscara - Quinta Edição, valem mais de 200,00 R$. Fácil, fácil. Mas ainda assim, preços de livros que não são mais canônicos, como o Vampiro - Terceira Edição e Vampiro O Réquiem, ficam hoje em dia por 150 a 190,00 R$. Pois os colecionadores não querem vender esses livros. 
Tá bom, mas para você, jovem protetor do capitalismo, por qual motivo isso é ruim? Faz parte dos valores desse setor de livros, mesmo que seja ruim eles se manterem nesses preços. Isso impede novos jogadores de surgirem. Um livro, comum, que já está em valores altos, fica por no mínimo 30,00 R$. E os mais jovens não irão gastar sua grana suada (ou não) para isso. 
Os livros de RPG nacionais, fazem muita coisa e mesmo assim, não tem seu valor merecido, pela galera brasileira. Um exemplo é Abismo Infinito.
Abismo Infinito, vencedor do Concurso Faça Você Mesmo de game design promovido pela Secular Games em 2011, é um jogo narrativo de horror psicológico em que os protagonistas são astronautas, distantes no espaço, envolvidos em uma trama de pesadelos lúcidos e manifestações de seus próprios medos. E o PDF está por 10,00 R$, apenas isso.
Ainda assim, tem gente que diz que vale a pena gastar grana com outras coisas. Eu conheci gente que já falou se sentir honrado por ser "pirateado", pois significa que seu trabalho (no caso, um livro de história) é tão bom que fizeram isso. Além de notarem o preço abusivo deles. Imagina se formos ver no RPG?

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Justiceiro e o seu símbolo sendo usado de forma errada

Nos Estados Unidos da América, ocorreu uma onda de usarem o símbolo do personagem Punisher (Justiceiro, em português) em roupas, uniformes, armas e proteções policiais. Só que isso é errado de tantas formas que até o criador do personagem já falou isso.
Frank Castle, o nome civil do Justiceiro, apareceu inicialmente como antagonista do Homem-Aranha. Isso na edição 129 da revista Amazing Spider-Man, em 1973. Criado por Gerry Conway e desenhos de Ross Andru e John Romita, originalmente seria um sobrevivente da Guerra do Vietnã. Ao voltar para solo americano e tentar manter uma família, vê eles sendo mortos na sua frente, por mafiosos. E então vemos que ele busca vingança feita com as próprias mãos. Olhe só, que curioso, o termo Justiceiro é em português. Só que em inglês poderia ser algo como "Punidor", ou seja, não era alguém que busca justiça, mas sim punir. 
E por conta desse raciocínio, que o próprio autor se opõe ao uso desse símbolo por policiais. Conway falou em uma entrevista de 2017, ao site Syfy Wire, o seguinte "Para mim é perturbador quando eu vejo figuras de autoridade, se apropriando das imagens do Justiceiro. Porque o personagem representa o fracasso do sistema de justiça. Ele é feito para indicar o colapso moral da autoridade social. E que a realidade de algumas pessoas, não pode depender da atuação de instituições, como a polícia e os militares, de forma justa e capaz."
Em 2019, o fotógrafo Maneco Magnésio, tirou uma foto em uma manifestação, na Avenida Paulista, a favor de Bolsonaro. A imagem é simbólica demais.
Já em 2020, como em um assunto sinérgico, Conway foi novamente contra o uso desses símbolos. Dessa vez, com policiais usando eles contra os membros do movimento Black Lives Matter. Tanto que o autor começou a ajudar com uma campanha de financiamento financeiro para o BLM.
Os símbolos existem e devem ser usados de modo apropriado. Isso me fez lembrar de uma HQ, em que o Justiceiro (na época, escrito por Garth Ennis) mata outros três personagens que eram fãs de seu "trabalho". Frank simplesmente fez isso, pois ele não faz isso pois ele quer ser um herói, ele o faz por ódio. Mas ainda há um código moral em seus atos. O que não existe nem nesses policiais e manifestantes.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Quando uma IA quase ganhou o Prêmio Jabuti

Bem para soltar minha opinião, eu tenho que contextualizar com esse texto da Tecnoblog:
"A Câmara Brasileira do Livro (CBL), instituição que organiza o Prêmio Jabuti, desclassificou uma edição de Frankenstein da categoria Ilustração por contar com arte feita por inteligência artificial. O livro, publicado pelo Clube de Literatura Clássica, teve suas ilustrações desenvolvidas pelo designer Vicente Pessôa utilizando o Midjourney, IA generativa de imagens.
O Prêmio Jabuti é a maior premiação de literatura do Brasil. A desclassificação dessa edição de Frankenstein acontece um dia após o anúncio dos semifinalistas do Jabuti. Na obra, disponível para os assinantes do Clube de Literatura Clássica, Vicente Pessôa e o programa Midjourney foram creditados como autores da ilustração. No entanto, na indicação, apenas Pêssoa aparece como autor.
Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o designer explica que não informou o uso da IA na inscrição porque não havia uma pergunta sobre isso. Na mesma entrevista, Pessôa explica que durante a divulgação do livro o assunto (o uso de IA para a arte) foi amplamente falado.
A organização do Prêmio Jabuti anunciou a desclassificação do indicado. Como o regulamento do evento não previa casos que envolvessem o uso de inteligência artificial, coube à Curadoria da CBL avaliar o caso.
A instituição também informou que a utilização do uso de IAs nas obras será discutido para as próximas edições do Prêmio Jabuti. O cartunista André Dahmer, um dos três jurados da categoria, afirmou no Twitter que não sabia que as ilustrações foram feitas por IA, além de desconhecer que Midjourney é o nome de uma ferramenta do tipo.
Ele também comentou que se soubesse que a arte era híbrida (feita com IA), “veria e julgaria o livro com outros olhos”.
Parece chover no molhado, mas o debate sobre o uso de IAs para criações artísticas está só no começo. Há diversos processos acusando as inteligências de violarem os direitos autorais de artistas e autores para gerar seu conteúdo."
Mostrado isso, o que me resta falar? Então, a IA é uma ferramenta. Sim. Mas NÃO DEVE substituir os artistas. Pois essa onda de Inteligências Artificiais vai acabar e ser só trazer problemas. É só ver esse lance de NFTs, que só deu problema atualmente, para quem era de classe média, por exemplo. Mas galera, esquece essa merda. Pois você não quer que seu amigo artista, músico por exemplo, perca seu serviço para uma máquina. Ou um professor perder suas aulas para um robô. E saibam, que isso pode parecer estranho ou bizarro, mas notem que quase uma capa feita desse modo, quase ganhou para uma pessoa.

sábado, 13 de janeiro de 2024

Um episódio de como o preconeito é burro... Até no rock!

Eu vivo falando aqui no blog sobre como os nerdolas são preconceituosos. O caso a seguir, que ocorreu com a cantora Fernanda Takai (vocalista e guitarrista do Pato Fu), prova meu ponto. Mesmo que não trate do mundo geek.

As pessoas não suportam a diferença
Na última terça-feira, estive a trabalho na capital paulista. Fui gravar um videoclipe no melhor estilo pouca verba, muita vontade. A idéia era andar de madrugada pela Rua Augusta – que vai do luxo ao lixo – enquanto cantava uma canção que diz: “a gente se acostuma com tudo”. Ou quase…Eu usava uma maquiagem e um figurino que remetiam diretamente ao personagem Edward Mãos-de-tesoura. Vocês devem se lembrar dele. Uma versão moderna e mais sentimental do Frankenstein, acrescido do talento para cortar cabelos, plantas etc., em formatos bem originais. Fiquei irreconhecível. Até parece que cresci uns 20 centímetros com os cabelos muito arrepiados.
Comecei a caminhar lentamente, enquanto as cenas eram captadas. A cada minuto alguém passava de carro ou a pé e gritava alguma coisa como: “olha a loucona!”, “bicha”, “sai, macumba!”, “que ser é esse, meu pai?”, sempre em tom de escárnio ou reprovação. Detalhe: quando percebiam que era uma gravação, trocavam um pouco a postura ofensiva por um “quem é?”, “é da televisão?”. Continuamos a andar, cruzamos a Avenida Paulista e uns fãs passantes me descobriram por trás daquela personagem. Um taxista até gentilmente foi me seguindo por alguns minutos batendo palmas e dizendo que gostava do meu trabalho, mas teve que se retirar pois acabava interferindo nas imagens e eu nem pude olhar pra ele pois fazia uma longa seqüência com os olhos fixos na câmera…
Enquanto ia cantando e descendo a rua em direção à parte mais barra-pesada do lugar, ficava pensando como é difícil ser diferente nesse mundo. Seja pela roupa, o corpo, algum tipo de comportamento menos usual e nem por isso errado. Ser diferente é atrair olhares e pensamentos que a gente sente como espinhos. Mas o pior eu ainda ia sentir de verdade naquela madrugada.
O diretor queria gravar umas cenas num clube noturno que costuma lotar todas as noites. Logo chegamos ao lugar, que fica exatamente na área mais recheada de saunas, casas de espetáculos eróticos e hotéis de alta rotatividade. Ou seja, supus que haveria umas tantas pessoas também diferentes e que ali eu não chamaria atenção. Errado. Os mesmos comentários surgiram como farpas. Eu também não era daquela turma.
Conseguimos autorização pra entrar com a câmera na boate. Já no corredor de acesso, pressentindo a hostilidade, disse que era melhor a gente ir embora que as pessoas estavam me olhando feio demais. Me davam empurrõezinhos e se viravam resmungando qualquer coisa. O som era altíssimo e a iluminação precária. Quando começamos a gravar umas cenas em que eu apenas ficava na pista enquanto todos dançavam. Alguém deliberadamente agarrou meus cabelos e me puxou com força. Estava escuro, lotado, e as pessoas pareciam todas iguais. Digo, vestiam-se do mesmo modo. Não consegui ter certeza de quem foi. Justamente nessa hora a câmera foi desligada para ser ajustada à quantidade de luz e ninguém da pequena equipe que estava lá comigo conseguiu ver o ataque. Imediatamente pedi pra irmos embora porque agressão física é o tipo de coisa que me faz perder a graça. Ou a gente parte pra cima ou foge. Eu fugi e fiquei com muita vontade de chorar. Nem tanto pela dor, mas pela constatação de que ser diferente é correr perigo. Não ser de uma determinada turma nos torna automaticamente alvos de um bocado de gente bruta e disposta a nos colocar no devido lugar pelas palavras e pelos atos ignorantes.
Minha filha tem um livrinho, que é um dos mais vendidos mundo afora, que se chama Tudo bem ser diferente. Não, Nina. Ainda não está tudo bem e pelo jeito nunca vai estar.

NUNCA SUBESTIME UMA MULHERZINHA (Fernanda Takai)
2007, Panda Books, 120 páginas.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Quando Hércules e Xena tretaram... Na vida real... Ou virtual!

Sabia disso, que Xena e Hércules brigaram na vida real? Bem então vamos lá:
A série de Hércules: A Lendária Jornada, gerou um spin-off, Xena: A Princesa Guerreira, que convenhamos, era mais marcante que a série do semideus grego. Kevin Sorbo, era o protagonista do seriado que durou umas 6 temporadas. E Lucy Lawless fazia a protagonista da obra derivada da do Hércules.
Os personagens, sempre se encontravam. Muitas vezes contra ou a favor um do outro. Entretanto, a treta no mundo real se deve a um acontecimento de 2021.
Nesse ano, ocorreu a invasão do Capitólio, sede do poder legislativo máximo no legislativo, nos Estados Unidos. No início, o Kevin Sorbo foi pro Twitter pedir pros manifestantes de direita não se comportarem, como os manifestantes do outro lado. Mas logo após o tiroteio, ele mudou o discurso e questionou se eles eram de fato apoiadores do então presidente Donald Trump.
Foi então que Lucy Lawless respondeu a altura. Mas essa nem é a primeira vez que a Lucy rebateu discursos do Sorbo. O cara já fez comentários transfóbicos, que foi repreendido por ela. Parece que essa treta é longa.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

A polêmica do game Spider-Man 2: tem gente idiota querendo mais arma e racismo...

O último jogo da franquia da Inmsoniac Games, Spider-Man 2, chamou a atenção de algumas pessoas. Mais por conta de uma "polêmica" - se podemos chamar assim - do que por qualidade do jogo ou uma história fraca. E o pior que poderia ser por conta disso, em segundo plano, pois a história não é a melhor coisa desse novo game. Isso, pois a DLC de Miles Morales, conseguia ser mais estruturada.
Apesar de ter algumas referências bacanas, a história realmente não é o forte aqui. Mesmo não mostrando grandes astros da Marvel, graças a Gata Negra, eles tem uma "viagem mundial mágica". E de alguma maneira, aparece uma referência ao filme do Aranhaverso, da Sony.
Mas dois momentos que realmente ficaram marcados foram comentários FORA do game: o porte e posse de armas e o racismo.
Devo comentar que algo dito por muitos deles, faz sentido. Que é como o pessoal coloca a personagem da Mary Jane, em um nível muito grande de combate. Pode ser "lacração"? Então, comecemos a falar que esse termo é só criado para tentar retirar o significado da obra. De qualquer forma, sim a Mary Jane está mais "badass", mas no final do primeiro game, e durante a DLC com Miles Morales ela está em uma guerra. No Universo Marvel! Se ela está viva, no mínimo, ela ficou mais durona mesmo. Isso, sem contar que ela sabe quem é o Homem-Aranha original.
Um dos diversos comentaristas de games, muitas vezes, não profissional, ficou bravo pois o Homem-Aranha, Peter Parker, ser contra armas. Mas isso seria óbvio. O personagem foi morto por uma arma. Independente se foi uma arma de fogo, ou uma arma branca, em todos os universos, o Tio Ben é morto por um ladrão, com um revolver, faca ou seja lá o que for. E isso gerou no jovem Peter, uma aversão a armas. Isso é tão canônico, quando a morte dos pais do Bruce Wayne para a criação do Batman. "Ah, mas quando eles surgiram, o uso de armas não era tão restritivo". Certo, mas está falando de outros tempos, em que até os autores falaram, vamos tirar o uso de arma de qualquer personagem.
E outro fator, muitas vezes tratado por esses mesmos caras é, que o protagonismo saiu de Peter Parker e passou para Miles Morales. O simples racismo. A prova disso é que essa galera que solta essas farpas contra um protagonista negro, são os mesmo a favor de um Homem-Aranha que portasse arma. Ninguém fala muito sobre o uso de termos americanos para personagens que já foram traduzidos tantas vezes. A gente sabe que isso, da não tradução dos personagens, tem lá seus motivos. Mas convenhamos, dificilmente, alguém assim reclama de qualidade. Mas sim "racialidade" e como estão indefesos até nos jogos...


sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Kahhori: a personagem indígena que surgiu na série animada What if, da Marvel


Debutou no MCU, no 6° episódio da animação What if, a heroína nativo-americana Kahhori.
Agora veja alguns fatos sobre ela:
Ela é uma personagem original da animação. Não existe uma Kahhori nas HQs.
Ela faz parte do povo Mohawk, que viviam na região de New York (nordeste americano) e pelo Canadá. Eles fazem parte da Confederação Iroquesa, ou Haudenosaunee, uma importante civilização nativo-americana da América do Norte.
O episódio foi desenvolvido com colaboração de membros da Nação Mohawk, como o historiador Doug George e a especialista em língua mohawk Cecelia King.
O episódio foi quase todo falado na língua Mohawk e se passa em Akwesasne (hoje conhecido como interior de New York).
Kahhori é um nome real do Clã Lobo, que significa 'ela agita a floresta'/alguém que motiva aqueles ao seu redor. E convenhamos, faz todo sentido, né?
Ryan Litte é o escritor e co-criador da Kahhori. Ele trabalha nesse episódio desde 2019. E contou que existe um corte do episódio com 10 minutos adicionais.
Kahhori foi dublada na versão original pela atriz Kawennáhere Devery Jacobs, que faz parte da Nação Mohawk.
O nível de consulta com especialistas na Nação Mohawk foi tão grande que eles colaboraram em todas as camadas da história. Desde o nome dos personagens, personalidades e vestimentas. Tudo para produzir um episódio que fosse fiel e respeitoso.
Nos quadrinhos há um reino adjacente e conectado com a Terra chamado Giizhigong. Ele é povoado por nativo-americanos e é acessado pelo Rio Colorado.
Giizhigong, na língua Ojíbua, significa "céu" ou "lugar do céu". O que combina com o "Mundo do Céu" que Kahhori visitou.
Esse reino adjacente à Terra, mas ainda conectado com ela, é semelhante a Ta-Lo, ligado à cultura chinesa. Vimos ele aparecer em Shang-Chi e a Lenda dos 10 Anéis.
Outro reino nesse sentido, mas um pouco diferente, mais espiritual, é Djalia. Esse é o plano astral que contém a memória coletiva de Wakanda.